Sebastian Firtman

Que dia é hoje?

Que dia é hoje? Já não sei em que dia estou … Este curioso comentário que tantas vezes se repete em meio a esses inúmeros encontros virtuais que são o pão de cada dia, tem me feito pensar sobre quão inocente é para um ser humano não estar aqui. Afinal, independentemente do dia ou da hora, você está “em uma call” o tempo todo.

Esta é apenas uma pequena amostra, entre muitos outros sintomas, de como as oportunidades que a virtualidade trouxe para as organizações e pessoas podem, em breve, se tornar uma situação difícil de enfrentar,se não levarmos em consideração todas as variáveis de forma abrangente. Vamos ver como e por quê:

Partindo do princípio de que nunca antes enfrentamos um mundo tão mutável e volátil e menos ainda, a uma velocidade de mudança tão grande. Isso parece uma frase pré-pandêmica (e é), só que agora é mais verdade do que nunca, já que a própria pandemia não tem qualquer planejamento de médio ou longo prazo de qualquer tipo e nos coloca em um modo muito flexível, com olhos em um horizonte curto. Novos surtos do vírus e governos tentando navegar em suas economias da melhor maneira são os melhores exemplos visíveis disso. Hoje, o termo “ágil” amplamente utilizado no mundo dos projetos dentro das empresas, torna-se mais urgente se nos referirmos à adaptabilidade que as organizações precisam ter, em todas as suas áreas (inclusive planejamento) se querem passar da melhor maneira neste momento de mudanças aceleradas.

Podemos afirmar, com a certeza que os fatos nos dão, que em meio às transformações organizacionais obrigatórias de todos os tipos, digitais, ferramentas, processos, estruturas, culturais e outras, as empresas que melhor se transformam são aquelas que se concentram nas pessoas. Em seus colaboradores. Claro, são as pessoas que vão acabar “comprando” qualquer ideia de transformação que a empresa pretende e com ela, adotando um novo sistema, processo ou estrutura que facilite a mudança e faça as estratégias que os líderes propõem (na velocidade que eles esperam). No entanto, devemos estar atentos a um novo fenômeno muito relevante que vem afetando as pessoas que compõem as empresas, nesta nova forma de trabalhar baseada na virtualidade. Pois bem, os benefícios das primeiras semanas para ter o “home office” de um momento para outro tornam-se uma disponibilidade que atravessa todos os seus cantos: o seu tempo, a sua família, a sua privacidade, os seus sonhos e as suas aspirações.

Inseridos recentemente no vocabulário global, os termos #nativo digital e #humanodigital referiam-se sobretudo às capacidades quase naturais que uma pessoa trazia “on board” já por ter nascido na era digital e pela necessidade de as desenvolver para se manter “elegível” no mercado de trabalho, cada vez mais, dependente de plataformas. Mesmo assim, não suspeitávamos que esses termos acabariam se tornando a definição quase literal das próprias pessoas e especialmente de uma multidão de trabalhadores de todos os tipos de organizações que não encontram mais a diferença entre o dia e o horário de trabalho e os lugares e momentos do seu desenvolvimento pessoal com as consequências que apenas começam a ser percebidas no monótono dia a dia de muitos.

As fronteiras entre o mundo do trabalho e o pessoal são apagadas na disponibilidade virtual. A vida das câmeras traz consigo um fenômeno muito positivo, que é que temos mais consciência da humanidade do outro no sentido de que, por trás delas, vemos a “vida do outro”; nós o conhecemos cada vez melhor e então somos mais parecidos uns com os outros. Entramos em contato com “seu mundo” e vemos que se parece com “meu mundo”. Já não existem medidores de escritório que distinguem as diferenças de posições e funções. Mas, por outro lado, essa mesma realidade se difundiu em meio ao turbilhão dessas conexões virtuais, os horários de trabalho são mais difíceis de identificar, os momentos familiares tendem à extinção e ao adiamento dos demais espaços de desenvolvimento pessoal tão necessários para a felicidade e a realização integral da pessoa começam a sumir. Desaparecendo também a motivação para estarem presentes da melhor forma nas mudanças que as organizações precisam para promover seus objetivos.

Seria muito triste ver que, como resultado de uma pandemia global, as únicas mudanças que temos no mundo do trabalho são a automação do ser humano e o uso de tecnologias para fazer com que mais pessoas sirvam ao objetivo. Isso não seria ecológico e, portanto, não sustentável.

Para querer a mudança, abraçá-la e, assim, mudar, as pessoas precisam de uma razão poderosa para alimentar o fogo de sua motivação. As organizações precisam hoje, mais do que nunca, de propósitos mobilizadores poderosos alinhados aos interesses naturais dos seres humanos que os motivem a “mover-se ao ritmo” da necessidade que as mudanças representam. Se as organizações não estão aproveitando, suficientemente, esta pandemia global como uma oportunidade de mudar para um modelo mais sustentável do mundo que inspira os humanos com quem elas entram em contato a aderir aos seus propósitos, provavelmente também não valem a pena entrar na próxima era de um novo normal melhor para todos.

Se, ao ler isto, fizer sentido e você deseja saber como alinhar sua cultura organizacional a um propósito poderoso que mobilize sua equipe para a nova era de uma forma ágil e sustentável, na OLIVIA teremos o maior prazer em ajudá-lo a alcançá-lo.

Por Eliseo Mojica, socio OLIVIA Colombia 

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Sebastian Firtman

Continuar lendo… A nova liderança politicamente incorreta

Sem ter à disposição seus escritórios – com salas de reuniões de design; muitíssima luz, espaços lúdicos; comidas disponíveis a toda hora, mas sempre do melhor nível -, a companhia agora está obrigada a saber transmitir essa experiência Google aos seus colaboradores a partir do ecossistema que passaram a formar o âmbito laboral e privado. As empresas que avançaram nesse caminho, já adiantam que o modelo pode ser similar em todas as indústrias e negócios. ManGroup PLC, a maior administradora de fundos do mundo, acaba de anunciar que no futuro, 70% de seu pessoal não estará no escritório. Enquanto isso, empresas industriais colocam suas esperanças em soluções como as do departamento de I+D da Universidade de Stuttgart. A instituição da cidade que é sede de empresas como Daimler, Bosch ou Siemens, desenvolveu uma máscara de Realidade Aumentada, que permite a um engenheiro ter acesso virtual ao interior de sua fábrica.

Ter coragem de definir juntos novas regras éticas

O desafio, no entanto, não estará na solução e sim na mudança para encontrá-la. Saber definir o novo ecossistema que integrará o laboral com o privado significa para as empresas saber desenvolver um novo conjunto de regras éticas desconhecidas até o momento. Porque é bom recordar que as mudanças que exigem o novo mundo pós-pandemia, antes costumavam considerar-se “politicamente incorretos”.

O caminho escolhido pela SKY Airline pode ser uma alternativa. A companhia aérea latino-americana com operações em países como Chile, Peru, Brasil, Argentina, Colômbia e Uruguai, tomou a decisão para converter sua operação corporativa de sedes do Chile e Peru 100% ao modelo de teletrabalho.

Não o fez unilateralmente, e sim o fez com base em um trabalho com os 350 empregados que poderiam ser afetados pela medida: a partir de abril a companhia começou a realizar pesquisas semanais para avaliar e revisar o funcionamento do teletrabalho, o estado dos colaboradores e a eficiência da empresa.

O resultado das convocatórias mostrou que a maioria  apoiava a ideia do teletrabalho, permitindo concretizar a transformação de forma consensual.

Como valor adicional, o resultado refletiu a variada faixa etária que compõe a companhia: 70% de seus colaboradores são millennials ou geração Z- para facilitar o caminho, o resto baby boomers e pessoas mais velhas. A dimensão que antes ficava fora do espaço de trabalho, dessa forma passou a formar parte desta nova forma de pensar o trabalho.

 O desafio do líder: voltar a conectar

Outro exemplo é de uma companhia que nós, da Olivia, acompanhamos o processo de transformação: dos quatro andares que ocupa, destinou um como área de trabalho comum ou cowork. Este espaço pode ser aproveitado por aquelas pessoas que, por questões familiares, não podem estar trabalhando os cinco dias da semana em suas casas. Ao mesmo tempo, o espaço deve ser entendido como um lugar de encontro pontual para equipes, para que uma vez por semana possam voltar a ver e interagir de forma pessoal sem telas pelo meio.

Então, para fazer isso, a companhia soube interessar-se pelo lado menos conhecido das pessoas e gerou uma relação produtiva laboral que inclui espaços diferentes de relacionamento. Tudo devido a ter a decisão de sair dos costumes e por que não, ser também o que anteriormente poderia definir-se como “politicamente incorreto”.

Acompanhar as pessoas em seu caminho de um espaço tradicional para um universo ampliado de conexão com o trabalho será uma tarefa que recairá nos líderes, como já provaram durante o momento mais duro da pandemia.

Serão eles que personificarão o sucesso ou o fracasso nessa direção. A razão é simples: a experiência ganha mais protagonismo através das pessoas, do que através do físico. Bom seria que as organizações levassem isso em consideração e acompanhem também os seus líderes neste processo.

Entre as mudanças que a pandemia gerou, o escritório do futuro tende a ser como um lugar de passagem. Estará menos povoado por metro quadrado; se organizará por horários de uso; ampliará sua finalidade para um objetivo multifuncional. Saber ter o tato, mas também os procedimentos para conectar este mundo com o privado, vai requerer tanto a capacidade humana dos líderes como de sua expertise técnica.

Bem-vindos ao novo ecossistema social!

 

Por Alejandro Goldstein, sócio de OLIVIA

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