É tempo de inovar no RH

Durante minha toda carreira como executivo, tive certeza de que os resultados sob minha responsabilidade dependiam da qualidade, do comprometimento e da colaboração dos líderes com os quais trabalhava.

Meus mais de 20 anos de mercado nesta posição reforçam o que está posto atualmente: o modelo de atuação dos profissionais da nova economia exige que as organizações utilizem a área de recursos humanos de forma estratégica, garantindo não só o desenvolvimento e o engajamento das lideranças, mas tornando as metas corporativas parte de suas realizações pessoais.

Cabe ao RH ressignificar a dinâmica do trabalho a partir de experiências e ações transformadoras, as quais alinhem, engajem e criem uma cultura organizacional inovadora e conectada aos resultados desejados do negócio.

Uma pesquisa realizada em 2018 pela Qulture. Rocks, a partir de uma base de 1.500 profissionais de RH, identificou que 64% das áreas de Recursos Humanos se reportam aos CEOs e participam das decisões estratégicas das empresas. Entretanto, o mesmo relatório mostra que as companhias seguem não utilizando a área como ponto de contato do negócio com as pessoas.

Outro estudo, realizado pela Deloitte e PwC, diz que 71 % das companhias que possuem uma cultura fortemente alinhada com a estratégia de inovação apresentaram um aumento mais rápido nas suas receitas. E 92% das empresas com forte cultura de inovação desenvolvem concretamente novos processos e produtos que aumentam rentabilidade ou produtividade.

Ou seja: passou da hora do RH assumir o protagonismo da transformação digital das organizações, pois não basta falar em transformação focada na oferta e serviços aos clientes. É necessário pensar na atração e na retenção de talentos que entendam as mudanças em curso e promovam a transformação digital da organização.

Neste movimento, deve-se direcionar o pipeline de inovação dos processos de RH da empresa à experiência do colaborador (Employee Experience). E é ainda papel da área compreender as inovações do negócio e utilizar business partners (consultores internos) que dominem esses conceitos para pilotar ou participar dos SQUADs, sprints, MVCs.

Um RH ágil e moderno domina conceitos de transformação cultural e está apto a ressignificar crenças limitantes, criar experiências transformadoras e propor ações com resultados mensuráveis nos objetivos do negócio

Ainda é tempo: o RH estratégico pode – sim – se reinventar e atuar como CTO (Chief Transformation Officer) de transformação das organizações. Caso contrário, sua representatividade na transformação da empresa estará em xeque!

Agora é a hora!

Por Reynaldo Naves, sócio Olivia Brasil