Olivia
Sebastian Firtman

Narrativas Transformadoras Na Pós-Pandemia

Há quase 6 meses, eu estava assistindo a série Years and Years, da BBC, e via com atenção o impacto de todas as mudanças de paradigmas sociais, de forma concentrada, ocorrendo com uma família inglesa. Nem imaginava que, poucos meses depois, estaria vivendo tudo isso em carne e osso.

Como indivíduo, a Covid-19 me fez acompanhar muitas mudanças: isolamento social, trabalho 100% remoto, familiares contaminados (pelo menos todos bem) e parentes de amigos que infelizmente morreram.

Na OLIVIA , acredito firmemente que podemos impulsionar mudanças que transformem o mundo, organização por organização. Na fase atual, cada pessoa e cada empresa terá que achar a sua fórmula para passar por esta tempestade social e econômica, pois serão as pessoas que incorporarão aprendizados e novas formas de relacionamento na família, no trabalho e na sociedade.

No início de maio, nós organizamos um café virtual para dialogar sobre o novo cenário que a pandemia criou e as alternativas das lideranças nas organizações para vencer os desafios impostos pelo “novo normal”. O webinar registrou mais de 150 inscritos, de 7 diferentes países (USA, UK, Holanda, Portugal, Argentina, Colômbia e Brasil). Queremos compartilhar com você alguns insights gerados pela enquete prévia, realizada com os inscritos e representantes de mais de uma centena de empresas de diversos portes, para ter dados objetivos sobre como cada profissional se encontra na crise e avaliar alternativas para a reativação sustentável dos negócios.

Junto com palestrantes bastante experientes e de áreas de atuação complementares, Luiz Buono (Sócio Agência Fabrica), Fernando Lanzer (Consultor Internacional em Transformação Cultural) e Cristiane Pedote (Investidora Social e Conselheira), constatamos vários fatos interessantes. Identificamos o estágio atual de maturidade das empresas e seus colaboradores para criar e executar narrativas que impulsionem a retomada das atividades sociais e empresariais.

Constatação 1 – O foco já está na retomada, ufa!

55% das empresas passaram da execução dos planos de crise iniciais, e já se encontram nas fases mais avançadas de reimaginar e reformular seus negócios, produtos e serviços considerando suas premissas de novo normal.

Constatação 2 – Nova Cultura Organizacional: temos a certeza do INCERTO!

83% das empresas têm certeza de que esta fase trará impactos imensos nas culturas organizacionais de suas empresas, mas somente 33% sabem quais são as mudanças de comportamento em seus colaboradores. Do ponto de vista qualitativo, acreditam que devam considerar prioritariamente os seguintes comportamentos para passar desta crise: Criatividade (67%), Gestão de Mudanças (59%) e Resiliência (58%) em um primeiro nível. Em um segundo nível de importância estão Gestão das Emoções e Agilidade (da ordem de 50%).

Constatação 3 – Novas relações com PANDEMIALS/QUARENTENIALS

44% das empresas já estão orientadas a novas formas e soluções de relacionamento com clientes e com o mercado, muito embora apenas 25% delas tenham clareza de como será o comportamento de seu consumidor PANDEMIAL. As narrativas, segundo os especialistas que estiveram no evento, terão que ser mais AUTÊNTICAS, HUMANIZADAS e de IGUAL PARA IGUAL.

Apenas uma coisa é certa: as pessoas, em suas dimensões pessoais e profissionais, terão novos comportamentos no trabalho e no consumo. O sucesso dos negócios estará na INTELIGÊNCIA EMOCIONAL CORPORATIVA, que consiga engajar e mobilizar pessoas em narrativas que sejam transformadoras dentro do trabalho e na relação com clientes e mercados.

No mundo corporativo, se menos da metade das organizações (48%) sabe como será o NOVO NORMAL, o que dará certo será a capacidade de resposta a algumas destas perguntas:

● Sua empresa tem alguns cenários de futuro com este novo contexto?

● Sua empresa compreende as mudanças de comportamento de seus clientes?

● Sua empresa compreende as mudanças de comportamento de seus colaboradores?

● Suas lideranças estão preparadas para a retomada?

Como diz o guru Yuval Harari, devemos aproveitar a pandemia não para postergar mudanças, mas para aproveitar exatamente este momento em que estamos sensibilizados para olhá-la de frente e fazer algo diferente do que estamos fazendo até aqui. Agora é a hora!

Para assistir ao webinar completo, acesse o vídeo no YouTube.

Se quiser mais informações sobre os resultados, fale com a gente.

De Reynaldo Naves, sócio de OLIVIA

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Olivia
Sebastian Firtman

Generosidade corporativa: o novo normal?

Durante a crise causada pela pandemia do novo coronavírus, estamos vendo demonstrações públicas de generosidade. As empresas que podem, ou seja, que estão em boa situação de caixa e acesso à crédito, estão transcendendo a responsabilidade social corporativa e surpreendendo com doações e ações de solidariedade, que acredito ir além do marketing. Há iniciativas em quase todos segmentos.

O Itaú disse estar doando um bilhão de reais para ações de combate ao Covid-19 e escolheu sete especialistas na área da saúde para a gestão e aplicação dos recursos. A Cielo prometeu antecipar cinco bilhões de reais de recebíveis para ajudar na sobrevivência do pequeno e médio empreendedor. A Decathlon disse que doou todo seu estoque disponível no Brasil da máscara de mergulho easybreath, que após adaptações pode ser usada como respirador em hospitais.

O momento pede mais humanidade. Vem intensificar uma tendência iniciada há alguns anos, com a ascensão da busca pelo propósito – pessoal e corporativo. Ter um objetivo além do sustento e do lucro, que visa o progresso social, ou a proteção e regeneração da natureza. Dar um significado maior às atividades rotineiras e enxergar a relevância do seu próprio trabalho para o todo é uma fonte essencial de felicidade genuína ou plenitude, dizem especialistas.

O futuro chegou mais cedo. Quem estava adiando adotar novas tecnologias para o trabalho remoto se viu obrigado a incorporá-las de imediato. O que em algumas organizações parecia um sonho distante, virou realidade. No Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, conselheiros experientes viram a necessidade imediata de aderir ao home office e ensino à distância e aderiram a novas ferramentas em menos de 15 dias. O contexto exige sair da inércia e adaptar-se. Outras empresas, como a Lojas Renner, viram os testes de home office se tornarem instantaneamente a única forma de trabalho e, diga-se de passagem, sem perda de produtividade ou engajamento de seus funcionários.

É natural que períodos desafiadores, como o atual, nos façam repensar na forma como estávamos vivendo e fazendo as coisas, para criar novas estratégias. A crise vem testar nossa capacidade de criatividade e rápida adaptação. Há bons exemplos. A Alpargatas adaptou sua fábrica para fazer máscaras e jalecos. Ford, Mercedes-Benz e Scania passaram a fabricar protetores faciais, máscaras e respiradores. A Weg, peças para respiradores.

Na Olivia, até pouco tempo atrás, recomendávamos aos clientes a ir “beyond limits”, uma provocação para acreditar que é possível prosperar além do que se imaginava, com mudanças de metodologias, processos e, sobretudo, da cultura organizacional. Mas crises testam e nos aproximam dos nossos limites. Neste contexto, para ir além é preciso fazer diferente, “beyond words”. Mais do que nunca, além de falar é preciso agir. Para um alento, é bom ter em mente que vivemos na era exponencial, com tecnologias que permitem a abundância de recursos.

Neste momento de pandemia, o foco muda. A prioridade é sobreviver e ajudar nosso entorno a sobreviver. Cultivar virtudes. Cuidar bem do cliente interno para que ele cuide melhor ainda do cliente externo. Não só durante a pandemia, mas sempre. A Magazine Luiza tem no crachá de cada funcionário a frase “faça pelos outros o que quer que façam por você”. Recentemente anunciou a doação de 10 milhões de reais para ações de combate à Covid-19. Sua liderança se comprometeu a manter os empregos aderindo, junto com outras mais de mil empresas, ao movimento #nãodemita, que incentiva empresários a seguir com seu staff intacto até, ao menos, o final de maio. Não há melhor propagador dessa notícia do que os próprios funcionários. A reputação se constrói dia a dia. É, sobretudo na crise, que além de palavras precisa-se de ações.

Mais do que transformação digital, o que a sociedade e as empresas estão vivendo com a pandemia é uma acelerada transformação cultural. Enxergo esse momento em três etapas:

  • Consciência: perceber o valor intangível de seu negócio, de quem faz parte dele e das características que lhe manterão operante no mercado.
  • Sustentação: identificar o que é supérfluo e o que é essencial, numa espécie de back to the basics, analisar o que pode ser cortado, com exceção das pessoas; e reestruturar processos e comportamentos.
  • Recuperação: saber que há uma nova realidade, e que mesmo desconhecida ainda nos detalhes, a cada dia podemos agir de forma mais próxima das emoções, rápida nas decisões, flexível para buscar alternativas até porque estamos na era do exponencial.

Recentemente, nosso time de sócios e consultores da Olivia organizou um workshop virtual com mais de 100 profissionais de 60 empresas de cinco países da América Latina para construir em conjunto soluções de combate a disseminação do Covid-19 e suas consequências negativas. Ao estimular a colaboração entre empresas que geralmente competem entre si, chegamos a algumas ideias para a achatar a curva de contágio. É o nosso propósito transformar o mundo organização por organização. Além da participação neste grupo de trabalho com participantes do Brasil na força-tarefa anti-Covid, cada sócio da Olivia tem trabalhado neste contexto de ações pessoais de transformação da nossa sociedade. De minha parte, desde 2018, tenho dedicado meu tempo e expertise ao apoio de negócios de impactos seja como mentor ou coach aos empreendedores de uma aceleradora de investimento.

Talvez você acredite que uma andorinha não faz verão, mas sinceramente espero que quando tudo isso passar, voltemos melhores e preparados para situações imprevisíveis, incertas e ambíguas. Empresas e pessoas mais humanas. Que sejam conscientes e transcendam a responsabilidade por si ou pelo outro, mas com foco em criar uma sociedade melhor.

 

Por Reynaldo Naves, sócio de Olivia Brasil

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