O futuro do mercado financeiro impactará seus negócios

O desenvolvimento tecnológico está causando grande impacto no setor financeiro, o que já pode ser visto, por exemplo, com a ampla chegada dos bancos digitais. Mas as mudanças que estão curso vão mexer muito com empresas que não são do setor financeiro e exigem um olhar atento de empresários de todas as áreas.
Um dos conceitos que tem afetado o setor e que impacta outros negócios é o de banco inteligente, uma inovação totalmente baseada em big data e inteligência artificial. Não se trata de credit scoring ou behavior scoring, as análises de risco de crédito ou de comportamento de uso que as instituições já fazem a partir do histórico financeiro de seus clientes. Esse tipo de avaliação já não atende mais a complexidade do cliente na atualidade.
A inteligência de um banco hoje vai mais longe e exige que as decisões de negócio sejam baseadas no comportamento completo do cliente, nas diversas escolhas ele que faz no seu dia a dia. Dados de relacionamento bancário são correlacionados a dados bem mais abrangentes, como o histórico de busca na internet ou mesmo a interação entre amigos nas redes sociais.

As oportunidades financeiras não são mais lidas de forma isolada, o que gera mais diálogo com empresas de outras áreas. É um novo cenário que afeta muitos negócios e que deve ser bem analisado e compreendido pelos empresários.
Os limites da vida financeira serão ultrapassados em mais dimensões além das transações bancárias. A chegada do Open Banking ao Brasil no ano que vem tende a causar uma transformação profunda na forma como pessoas físicas e jurídicas fazem a gestão das suas contas.
Resumidamente, pode-se dizer que o Open Banking conecta instituições financeiras e lugares de compra. Com esse novo modelo, o cliente passa a realmente ser dono de seus dados e a ter a chance de escolher fazer pagamentos não apenas por meio do seu banco de relacionamento da conta corrente.
Exemplificando de forma prática: em vez de colocar as informações do cartão de crédito ao realizar uma compra na internet, o cliente vai escolher de qual conta ou meio de pagamento o dinheiro vai sair, seja uma conta pessoa física, um cartão de crédito ou um cartão pré-pago.
Haverá uma conexão entre os dados do banco, da loja virtual e de todos os outros agentes autorizados para o processo.
Essa complexa transição está sendo cuidadosamente estruturada pelo Banco Central, assim como ocorreu na implementação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Isso vai permitir que as interfaces financeiras sejam feitas por outras instituições autorizadas, que não sejam os próprios bancos ou as instituições financeiras. Grandes empresas de varejo, de todos os segmentos, e gigantes globais como Google, Facebook ou PayPal poderão fornecer novos
serviços que resolvam todas as demandas financeiras de pessoas físicas ou jurídicas.
Trata-se de um novo e gigantesco mercado financeiro  que está nascendo, no qual portais de serviços até então inexistentes poderão ser criados para diferentes necessidades, atendendo novas demandas do mercado financeiro . Empresários e prestadores de serviço poderão gerenciar suas contas PF e PJ, analisar seus fluxos e ter visão completa de suas transações.
Acompanhar e entender essas inovações trará grande vantagem competitiva para as empresas dos mais diversos setores. Essas mudanças na forma como pessoas físicas e jurídicas tratam suas finanças podem representar grandes benefícios para as empresas, que ganham a oportunidade de criar novos produtos e serviços. Incorporar essas inovações por meio de uma leitura correta e assertiva do cenário tecnológico, econômico e cultural tende a ser um grande
diferencial de negócios nos próximos anos.

Por Reynaldo Naves, sócio OLIVIA